sexta-feira, 25 de setembro de 2020

PORTUGUÊS 9º ANO A,B,C,D

 ESCOLA ESTADUAL OMAR DONATO BASSANI

Professora: Gisele 

Atividade da semana: 28/09 a 02/10 

Orientações: Ler o texto e responder as questões 

RESPONDER NO CADERNO E COLOCAR DATA , E SE POSSIVEL, ENVIAR VIA EMAIL gllpussatelli@gmail.com  ou WhatsApp , para nota de terceiro bimestre.

Ano/serie: 9 A, B, C e D

Competências e habilidades: EF89LP03 – Analisar textos de opinião (artigos de opinião, editoriais, cartas de leitores, comentários, posts de blogs e de rede sociais, charges, memes, gifs e etc.) e posicionar-se de forma crítica e fundamentada, ética e respeitosa frente a fatos e opiniões relacionadas a esses textos.


Te ver

Te ver e não te querer 

É improvável, é impossível

Te ter e ter que esquecer 

É insuportável a dor, é dor incrível 


É como mergulhar num rio e não se molhar 

É como não morrer de frio no gelo polar 

É ter o estomago vazio e não almoçar

É ver o céu se abrir no estio e não animar 

[...] 

(ROSA, Samuel. Skank)


  1. Você conhece essa canção?

  2. O que lhe sugere esse trecho da letra?

  3. Como o eu poética ajuda a construir em nossa mente a imagem de “impossível”, de “improvável”?

  4. Há canções que nos transportam para outros lugares, outros momentos. Por que isso acontece?

  5. As letras de algumas canções parecem ter sido escritas por nós, ou seja, parece que elas traduzem exatamente o que pensamos ou sentimos. Isso ocorre com você? Poderia citar o trecho de uma delas? 

  6. Muitos jovens tem a musica como sua grande paixão. Alguns preferem os vídeo games e, outros, a TV ou a internet. O que mais atrai você? Para você, o que seria insuportável deixar de ter ou ver?

  7. Para algumas pessoas, deixar de assistir à tv ou acessar à internet é impossível. Você também pensa assim? Seria capaz de ficar uma semana sem ver TV ou acessar a internet?


Lembrando que “eu poético” é a voz que fala no texto, assim como uma narrativa tem um narrador, a poesia, letra de música, etc, tem um eu poético.


O menino sem imaginação

[...]

       Maria botou o jantar e pela primeira vez, desde que nasci, vi toda a família reunida à volta da mesa.

   - Como nos velhos tempos! – exclamou o vovô satisfeito

Ele disse que no passado era assim: as pessoas sentavam juntas, conversavam e trocavam ideias na hora das refeições. Disse que foi a chegada da televisão que provocou uma debandada geral. Eu fiquei calado, mas me irrita muito ver alguém falando mal da televisão. Para mim ela apenas permitiu que cada um comesse quando quisesse, porque as pessoas não são obrigadas a sentir fome à mesma hora.

         - Vamos conversar sobre o quê? – perguntou o vovô; que não obtendo resposta continuou:

         - Não podemos perder esta oportunidade. Ela talvez não se repita nunca mais.

         - Qualquer coisa – resmungou mamãe desinteressada.

         - Eu queria fazer um comentário sobre o jogo...

         - Ah! Futebol não! – mamãe cortou a frase de papai.

         - Então vamos meter o pau no Governo – propôs vovô.

         - Política nem pensar! – voltou mamãe.

         - Existe algum tema mais relevante do que o sumiço da televisão? – indagou titia.

         - Ah! Eu não aguento falar mais sobre isso! – disse papai.

         - Nem eu! – concordou a mana.

         E mergulhamos todos num longo silêncio.

         Eu havia colocado Fantástica sobre o aparador, na minha frente, mantendo seu controle remoto ao lado do meu prato, como um talher. Não acreditava que a TV fosse demorar muito mais fora do ar, porque papai falou que os donos das emissoras são poderosos “e logo vão dar um jeito nisso”.

         Eu dava uma garfada, ligava e desligava Fantástica; dava outra garfada, ligava e desligava e ligava e desligava, até que papai saiu de seu silêncio e bateu na mesa:

         - Para com isso, Tavinho! Que mania!

         - Só quero saber quando a imagem vai voltar.

         - Você vai saber! Vai ser uma barulhada infernal por esse país afora!

         A comida estava uma gororoba intragável. Maria é uma grande cozinheira, mas desta vez errou a mão, salgou tudo e queimou o arroz. Eu deixei cair um pedaço de goiabada no chão, titia se engasgou com a farofa e mamãe virou a garrafa de água na toalha. Minha irmã, que não perde uma chance, falou que “o sumiço da televisão está mexendo com o equilíbrio de muita gente”. Mamãe, que se manteve calada o tempo todo, resolveu apelar:

   - Amanhã cedinho vou à igreja iniciar uma novena para Nossa Senhora fazer com que a televisão volte logo.

     - E eu vou à minha astróloga – emendou titia. – Talvez a conjuntura astrológica explique alguma coisa...

         - E eu vou procurar o pastor da minha igreja – arrematou Maria, de passagem.

         O jantar acabou e as pessoas ficaram vagando pelo apartamento feito almas penadas. Eu mesmo não sabia o que fazer. Experimentava uma sensação esquisita, das naves. Foi me dando sono, uma vontade de me encolher debaixo das cobertas.

         Minha irmã, ao me ver acabrunhado num canto, veio até mim:

         - Não fique assim, irmãozinho – disse carinhosa.

         - Fico assim. – resmunguei – A vida perdeu o sentido pra mim.

         - Que bobagem! – ela sorriu meiga. – A televisão é um eletrodoméstico.

         - Pra mim é muito mais! É minha razão de viver!

         - A humanidade viveu milhares de anos sem televisão, Tavinho, e nunca deixou de fazer as coisas

         - Pois eu sou aquela parte da humanidade que não saber fazer as coisas sem televisão.

   A mana sorriu e afogou meus cabelos, delicada:

         - Não adianta ficar emburrado. Faz o jogo do faz de conta. Ás vezes é preciso brincar para se suportar melhor a realidade.

         - Faz de conta o quê? O quê? – perguntei desafiador.

         - Por que você faz de conta que engoliu a TV?

         Lá vinha ela com suas birutices.

         - Eu? Engolir a televisão?

         [...]


  1. Lendo apenas esse trecho, é possível compreender o conflito presente no romance? Como você chegou a essa conclusão? 

  2. Quando Tavinho diz:” [...] pela primeira vez desde que nasci, vi toda a família reunida à volta da mesa”, o que se pode perceber sobe a rotina da casa?

  3. O que você achou da família de Tavinho? Ela é diferente da sua?

  4. Com base na leitura desse fragmento, explique por que o autor deu esse título para a história.

  5. Quem é Fantástica? Poderíamos chama-la de personagem? Por que? 

  6. Quem é o narrador dessa história? Como você descobriu isso? 

  7. A irmã de Tavinho, para consolá-lo diante da tristeza provocada pelo sumiço da televisão, sugere: “Não adianta ficar emburrado. Faz o jogo do faz de conta”. O que você acha que ela quer dizer com isso? 

  8. Depois de ler os dois textos e responder as perguntas, faça um pequeno texto sobre o que seria impossível você  ficar sem , pode ser televisão, celular, internet, vídeo game. Justifique o porquê dessa escolha. 

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